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Aids na TV
Hoje, dia 1º de dezembro e estamos celebrando o Dia Mundial de Luta contra a AIDS.
Aqui no Brasil, o Ministério da Saúde lançou uma campanha de conscientização e aceitação. E como nós do Box de Séries super apoiamos a causa, decidimos relembrar nessa data importantíssima os personagens soropositivos mais memoráveis dos seriados e como o tema é retratado na TV.
Desde 1981, a crise da AIDS já era amplamente divulgada. No entanto, como a doença inicialmente era considerada restrita a homossexuais e viciados em drogas, Hollywood demorou anos para admitir (e escrever sobre ) o problema. O primeiro grande filme ou seriado a lidar com ela foi o telefilme AN EARLY FROST (no Brasil, Aconteceu Comigo), que mostra a história de um homem que volta para casa para contar a seus pais que é gay e soropositivo. O filme quebrava os preconceitos e mitos a respeito da doença mas, apesar de ter sido o programa mais assistido da sua noite de exibição, perdeu dinheiro, pois os anunciantes ainda tinham receio de relacionar suas marcas ao vírus.
Depois disso, personagens com HIV na TV ficaram confinados a participações especiais em inúmeras séries, até que, em 1991, LIFE GOES ON quebrou barreiras, sendo o primeiro seriado a ter um soropositivo entre seus personagens principais. Jesse era namorado da protagonista, e a série mostrou muito bem as dificuldades que a síndrome causava em relacionamentos românticos, e como as pessoas reagiam a isso.
Outro ponto-chave da apresentação da doença na televisão aconteceu durante a 3ª temporada doreality show THE REAL WORLD. O programa seguiu durante alguns meses o dia-a-dia de um grupo de jovens que moram juntos e, em uma de suas edições, um dos participantes era Pedro Zamora, um homossexual ativista que possuía AIDS. Era a primeira vez que boa parte da população conhecia uma pessoa soropositiva.
Pedro era humano, carismático e ganhava os corações tanto de seus colegas de casa quanto do público que o assistia, conscientizando a todos sobre a doença. Ele se apaixonou e se casou durante o reality, enquanto seu estado de saúde piorava visível e rapidamente. Virou fenômeno cultural, ganhando capas de revistas, e dando uma cara real à epidemia. Zamora morreu apenas um dia após a exibição do último episódio do programa e chegou a receber louvor presidencial de Bill Clinton por “personalizar e humanizar aqueles que vivem com AIDS”.
Mais recentemente, na série da HBO, OZ, que contava de forma intensa e realista a vida em uma prisão de segurança máxima, estupros entre presos eram comuns, e aqueles que se contaminavam com HIV eram mandados para um bloco isolado, proibidos de se misturar com o resto dos prisioneiros.
Já em ER – PLANTÃO MÉDICO, a médica Jeanie Boulet, negra, contraiu AIDS do marido, e teve um filho também portador do vírus. Ela deixou a série por um tempo e, quando repareceu, contou sobre sua luta para conscientizar os jovens e seu trabalho em clínicas de apoio aos soropositivos. Jeanie é uma das poucas personagens regulares soropositivas na história da televisão que não morreram ao final da série.
Seria impossível para QUEER AS FOLK, que contava sem censuras a vida de um grupo de amigos homossexuais, não falar sobre a doença. Além de pontuar muitos momentos de sua história, a AIDS e suas agruras foram personificadas por dois personagens importantes: Vic, o tio do protagonista Michael, era portador do vírus, e a série mostra a dificuldade que ele enfrenta para comprar seus remédios e prosseguir com sua vida. Infelizmente, o pesonagem sucumbe ao vírus e morre na 4ª temporada.
O próprio Michael namora (e se casa com) um soropositivo (Ben) durante a série. A situação, similar a de Life Goes On, retratou bem a dificuldade das pessoas portadoras se relacionarem, principalmente, com um não portador e como a família reage ao saber que o namorado do filho tem AIDS.
No drama familiar EVERWOOD, Marcia Cross (a Bree de Desperate Housewives) interpretava Linda Abbott, irmã de um dos protagonistas que tem HIV. A grande diferença na sua história é a forma como ela contraiu o vírus: enquanto trabalhava no Congo como médica, ela teve contato com uma criança infectada que tinha se ferido durante um ataque. Sem poder fazer nada para salvá-lo, ela acaba abraçando em seus últimos suspiros, sem notar que tinha um corte em seu braço. E foi assim que se contaminou.
Deixo para comentar por último a melhor e mais emocionante história sobre AIDS já feita para a televisão. ANGELS IN AMERICA é uma minissérie da HBO de 6 horas de duração, baseada em duas peças vencedoras do Tony e Pulitzer. A minissérie é uma das maiores vencedoras do Emmy, e conta com um elenco estelar, que inclui Meryl Streep, Al Pacino, Emma Thompson, Mary-Louise Parker e Justin Kirk. Passada na Nova Iorque do ano 1985, a série se utiliza da história de dois casais para pintar um retrato da época.
Naquele ano, a epidemia se alastrava cada vez mais nos Estados Unidos, mas o presidente conservador Ronald Reagan insiste em não dar atenção ao problema. Prior Walter, o protagonista, descobre que tem AIDS e conta a seu parceiro Louis, que não consegue lidar com o sofrimento e o abandona. Quando o estado de Prior piora, ele começa a receber visitas do “Anjo da América” e se julga um profeta.
Por outro lado, Joe Pitt, um homossexual enrustido, mórmon e republicano, é casado com Harper. Ela, presa nesse casamento mentiroso e sem paixão, é viciada em antidepressivos e, quase como uma criança, tem alucinações, e sonha com uma vida melhor. A figura histórica Roy Cohn (advogado de direita que participou das perseguições comunistas, mas era secretamente homossexual), também é mostrada, como um patético hipócrita que cometeu barbaridades e, vítima de AIDS, nega até seu leito de morte quem realmente é. Essas almas se perdem e se reencontram, tentando achar sentido numa época tão negra.
Mesmo com toda a História da síndrome e suas representações na mídia, ainda hoje há muita informação equivocada sobre a AIDS. Cada vez mais, jovens acham que a doença é coisa do passado, não se preocupam e resolvem arriscar. Com isso, acabam se contaminando. Mesmo com todos os avanços na medicina, ainda não há cura para AIDS. É importantíssimo que todos nós sigamos precauções para nos prevenirmos, como utilização da camisinha, para evitarmos que esse vírus cresça ainda mais.
Para informações sobre prevenção, a campanha e os eventos do Dia Mundial da Luta Contra a AIDS que o Ministério da Saúde promove, acesse seu site ou Facebook. O vídeo da campanha, você encontra aqui.
http://www.boxdeseries.com.br/site/como-as-series-de-tv-tratam-do-tema-aids/#disqus_thread
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Crítica - Mulher de Fases
A HBO Brasil já nos trouxe ótimas séries dramáticas, como Filhos do Carnaval, Mandrake e a excelente Alice. Agora, em parceria com a “Casa de Cinema de Porto Alegre “, exibem sua primeira comedia: Mulher de Fases, uma série que apesar do convencionalismo e a falta de identidade com a marca HBO, torna-se agradável graças ao excelente elenco e roteiro competente.

A série conta a história de Graça, mulher de 30 e poucos anos que se separa de Gilberto, marido excessivamente infantil. Em seguida, passa a ter uma série de encontros com homens totalmente diferentes, incorporando inconscientemente as caracterestícas do pretendente da vez.
Não é uma premissa original. Pelo contrário. No primeiro episódio Graça sai com um fumante, e um guru espiritual que na verdade não passa de um charlatão mulherengo, cliché mais que batido em sitcoms. O piloto não trás nada inovador e em certos momentos utiliza-se de cenários já demasiadamente utilizados em outra series do gênero.
A série mais se parece com um seriado da Globo, como Divã, do que HBO. Não há sexo explícito, palavrões, corrupção, história inovadora. Lembra uma sitcom feminina tradicional americana. No entanto, é a forma bem escrita como o roteiro é escrito, a beleza da produção e as excelentes atuações que transformam essa série em algo divertido e diferente do seriado tradicional brasileiro.
Elisa Volpatto é a revelação como Graça. Ela tem um carisma , versatilidade, e timing cômico excelente, que nos faz nos apaixonar pela protagonista já em sua primeira cena. Dentro dos primeiros 30 minutos, Elisa vira uma fumante compulsiva, uma meditadora, ex-mulher histérica e, na melhor cena do piloto, tenta vender a si mesma um apartamento, fazendo o papel de compradora e corretora, e mostrando a todos sua capacidade cômica e mobilidade.
No entanto, a série não é só de Volpatto. Rodrigo Pandolfo brilha como o ex-marido apaixonado, porém extremamente infantil, que faz de tudo para reconquistar graça. Pandolfo tem o toque perfeito de humor, infantilidade e deboche. Sua química com Volpatto é gigantesca, e logo após sua primeira cena é impossível já não torcer para que ele consiga reconquistar sua ex-mulher.
O elenco completa-se com a mãe de Graça, Hilda, ( Mira Haar ), sua melhor amiga Selma(Antoniela Canto) e a filha de Selma, Tereza ( Júlia Assis ). As três estão ótimas. Cada uma quer algo de Graça, e todas tem uma opinião sobre cada um de seus pretendentes. Tereza ama o tio, e quer que Graça volte com ele. Hilda quer que a filha fique morando com ela, em seu antigo quarto decorado de porquinhos. Já Selma quer que Graça mude para o apartamento a seu lado e a ajude a pagar as contas.
Cada uma representa uma “fase” da mulher. A mãe solteira, a criança que morre de medo da mãe a fazer pagar mico, e a mãe de idade que praticamente celebra o fato de sua filha precisar novamente de sua ajuda, e agarra a chance de tê-la, já crescida, de volta em seus braços.
Totalmente gravada em Porto Alegre, a série praticamente não aproveita a cidade como cenário, dando a impressão de que poderia ter sido gravada em qualquer outra cidade. Espero que em futuros episódios aconteça como nas outras séries da HBO Brasil, e incorporem a cidade de Porto Alegre, tão bonita e pouco conhecida aos olhos do seriador habitual, como personagem da série. No entanto, a Casa de Cinema não desaponta na produção, com cinematografia e cenários competentes..
Com um dos melhores elencos de toda a safra de séries brasileiras no ar atualmente, Mulher de Fases supera o cliché e mostra porque é uma produção HBO pela produção de qualidade. Com elenco excelente, e o roteiro engraçado e identificável que, apesar de focar nas mulheres e seus problemas, deve agradar também aos homens, que podem se reconhecer tanto na figura da solteirona de Graça, quanto em algum das dezenas de pretendentes que a série mostrará. Mulher de Fases é garantia de meia hora de escapismo e boas risadas.
Posted on April 15, 2011 with 1 note ()
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A real importância do Golden Globe
Na manhã de ontem a HFPA, Associação da Imprensa Internacional de Hollywood, anunciou as obras de 2010 no cinema e televisão indicadas aos 68º Golden Globes. Antes de entrar em qualquer discussão sobre as indicações desse ano, é preciso explicar algo fundamental a fãs de cinema e televisão que se interessam pelos Golden Globes: Eles não tem credibilidade alguma.

Não adianta reclamar que houveram indicações injustas e sem sentido, pois isso já é previsível. A premiação tampouco deve ser usada como termômetro para o Oscar de melhor filme, pois seu corpo votante é pequeno, pouco relevante e com um método de votação extremamente particular. Nos últimos 6 anos, seus melhores filmes só uma vez bateram com o do Oscar. Com as categorias de atuação, essa proporção é maior. É muito ingênuo pensar que qualquer premiação se utiliza somente da qualidade dos produtos para premiar obras. Muita política, jogo de poder e dinheiro está envolvido. Afinal, toda uma indústria existe somente para a chamada “ Awards season “, temporada de premiações. A HFPA, no entanto, leva a faceta de bajulação e política das premiações a outro nível, muitas vezes considerando estes muito mais importantes do que a obra em si. Não só seus membros tendem a querer agradar todos os grandes estúdios com indicações, mas sempre preterem performances de grandes astros, sendo elas as melhores ou não, para que estes compareçam à premiação, não só dando-a um pouco mais de glamour, mas também um possível crescimento na audiência da transmissão. Por essa razão absurdos que serão comentados acontecem, como filme “ O Turista “ sendo indicado, em uma categoria em que nem pertence, pois é estrelado por dois dos maiores astros de Hollywood, Angelina Jolie e Johnny Depp.
A HFPA também é suspeita dar atenção especial a filme de estúdios que os tratem bem e ofereçam mordomias. Isso pode explicar a presença da bomba “Burlesque” na categoria de melhor filme. O estúdio de Burlesque enviou todos os membros do HFPA para assistir a um show de Cher em Las Vegas, com tudo pago. Além disso, a associação tem a tendência de levar a sua aura de premiação mais jovial e irreverente( Bebidas alcoólicas, por exemplo, são permitidas durante o evento. ) para as indicações, muitas vezes indicando séries e filmes que, apesar de grandes sucessos, com grande espaço na mínima, perdem muito em qualidade para outros produtos, que são solenemente ignorados. Esta mesma “modernidade”, no entanto, pode trazer boas surpresas, com a Associação muitas vezes arriscando indicar atores com performances excelentes, mas menos reconhecidas pelas maiores premiações.
E é isso que é preciso saber sobre os Golden Globes antes do meu próximo post, com a lista de indicações e alguns comentários. É uma noite divertida, com grandes astros, bom apresentadores e irreverente, mas não merece ser levada muito a série. Fecho esse post com dois comentários do crítico de TV americano Alan Sepinwall, que resumem o significado e importância desta premiação:
” Nós comentamos e respeitamos o Golden Glode porque é a única premiação que tem coragem de arriscar e indicar Piper Perabo para melhor atriz! “
“São um grupo de premiação que estão prontos a dizer “ Jennifer Love Hewit, por aquele filme de puta que você fez: Aqui, toma uma indicação! “
Posted on December 16, 2010 with 1 note ()


